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Ana







Se eu te contar a minha história você não vai acreditar! .

Meu nome é Ana, tenho 35 anos e desde bebê moro nessa casa, nessa rua. .

Todo mundo fala isso, que eu não pareço ter 35, me dão no máximo 28. Eu adoro! .

Eu já sou mãe de um garotinho de 8 anos chamado Isaque. Quando eu engravidei dele eu não sabia que estava grávida. Deixa eu te contar como descobri. .

Sempre gostei de festas, um amigo me chamou para irmos para uma festa em Forquilha e lá fui eu. .

Estávamos de moto e após passar a ponte um carro subiu repentinamente vindo do dom expedito e pegou a gente em cheio. Voei por cima do carro e não morri ali mesmo por pouco. Fiquei muito mal, fiz várias cirurgias, 8 raio x, tomei medicação forte para dor. Em casa, fiquei seis meses de recuperação intensa. .

Já dizia há muito tempo aos médicos que minha menstruação estava parada e eles falavam que estava tudo normal, que podia ser efeito dos remédios. Com sete meses de repouso senti uns incômodos mais fortes e decidi compreender melhor o que rolava comigo. Bingo! Grávida de sete meses. .

Eu já estava grávida quando sofri o acidente. Loucura total, os médicos ficaram desesperados pela quantidade de medicamentos que eu tomei já grávida, minha mãe ficou devastada, foi tudo muito rápido. .

Isaque nasceu de nove meses, saudável, sem complicação alguma. Ninguém acreditava, pra falar a verdade nem eu. Pra completar a saga de luta imagina aí o que aconteceu depois? O médico esqueceu a placenta dentro de mim. Com 14 dias do Isaque no mundo tive uma dor forte. Sangrei muito, tive uma hemorragia por conta disso e não morri por muito pouco (novamente). .

Importante ressaltar que fui salva pelos cuidados da minha mãe, os asseios, a atenção dedicada, ela em todo momento por perto. .

Nós moramos todos juntos. Isaque tem mãe-vó e mãe-mãe. Eu até hoje penso nessa experiência e lembro que é um milagre eu ter sobrevivido, ter tido uma gravidez sem risco e Isaac ter nascido sem sequela alguma. 

Engraçado que isso não me deixou medrosa. Todo mundo fica abismado como eu ainda ando de moto. Me sinto muito corajosa, não tenho medo de viver. Aliás, tenho pressa de viver, quero viver com gosto. Sair, passear, dançar, me divertir, me apaixonar. 

Depois do que passei sinto que enfrentar os medos é importante, renova as coragens.

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